Currículos resumidos e sinopses dos trabalhos seleccionados:
António Lucas Soares (1964) nasceu e vive no Porto. É um auto-didacta da fotografia que explora como representação e narrativa. O seu trabalho situa-se nas fronteiras da fotografia documental, com temas oscilando entre o quotidiano e as viagens. Reside em myprivatelight.net na pele do homem que queria ser Bruce Chatwin. Em 2004 foi laureado com o prémio FNAC Novo Talento da Fotografia.
A PAISAGEM É UM PONTO DE VISTA
"A Paisagem é um Ponto de Vista" é um projecto que se situa algures na fronteira (cada vez mais difusa) entre a fotografia documental e a fotografia conceptual. Entre a realidade e a ficção, no sentido literário do termo. Joga-se com ambiguidades deliberadas: estas fotografias serão uma encenação realista ou uma teatralização da realidade? É esta dualidade que estas fotografias mostram: um lugar, uma situação, observada de um ponto exterior, mas também uma visão a partir do interior do fotograma, através da identificação, de uma empatia do observador com a personagem observada. Não se descreve um acontecimento, uma situação, um traço cultural, mas antes atributos comuns de pessoas, do seu mundo, da sua vida. Neste caso o foco é na relação das pessoas consigo próprias e com a natureza, entendida como mundo natural e social.
Christophe-Paul Sauvage (1961) nasceu em Roubaix (França).
Fez a sua formação em Sociologia no Institut d’Études Politiques de Paris (1988).
Apaixonado pela arte e pela literatura, escreveu mais de uma dezena de novelas e quatro romances, tendo concebido e fabricado objectos dentro do espírito dadaísta. Levou a cabo vários projectos fotográficos e fez parte de dois projectos musicais ao longo de 5 anos.
Em Abril de 2007, decidiu instalar-se em Lisboa para aí desenvolver projectos de intervenção artística no espaço público: Hospital Júlio de Matos (2009) e Galeria de Arte Urbana, em Lisboa.
BEM-VINDO À EUROPA!
A União Europeia já não é objecto de sonho. Mais do que isso, a Europa está em crise - política, económica, social e institucional. Tornou-se um lugar de ameaças, de desilusões, de angústias e incertezas. O projecto «Bem-Vindo à Europa!» interroga este momento da nossa história através de sete anúncios de recrutamento, que misturam acontecimentos recentes e extrapolações, realidades e ficções, observações e receios, procurando atrair a atenção para os riscos de uma Europa sem piloto, sem projecto, deixada a ela mesma e aos seus maus génios.
Eva Sousa (1975, Paço de Sousa) licencia-se em Artes Plásticas/Pintura na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto em 2004, tendo iniciado o mestrado em Arte Contemporânea em 2007 na Universidade Católica. Exerce docência em várias áreas artísticas em escolas públicas e privadas desde 1999 e expõe regularmente a sua obra desde 2000.
EM BUSCA DO TEMPO REENCONTRADO
A Fábrica Rio Vizela surge dominadora na paisagem. O seu passado próspero persiste na memória dos habitantes da Vila das Aves, do Portugal outrora industrializado e dos seus trabalhadores.
Hoje, o que prende o olhar do observador é o colosso arquitectónico arruinado e a envolvente natural que comporta. É o aspecto carregado da sua imensa extensão e a nostalgia dos tempos áureos, que ressaltam como marca da sua beleza e fascínio.
A racionalidade, funcionalidade e beleza do edifício de outrora, confundem-se com a estética conquistada das suas ruínas. Os musgos sucedem-se aos fios de lã; a água no chão espelha as suas estruturas ainda sólidas; o vandalismo gerou novas cenografias; os vidros partidos reflectem o entorpecimento envolvente e, o abandono, abriu crateras nos telhados.
É um registo de uma marca efémera do seu passado que alimenta a força mítica que a dimensão e a beleza do espaço lhe conferem.
Filipe Condado (1973) nasceu em Lisboa.
Curso de História da Fotografia I, AR.CO, Maio de 2005.
Curso de Tratamento Digital de Fotografia, I.P.F., Março de 2005.
Licenciatura em Marketing, IADE, 1997.
Frequência no Curso de Fotografia, AR.CO, 1991/3.
Expõe desde cedo em exposições individuais e colectivas, tendo participado em vários concursos e diversos trabalhos publicados. Está representado em colecções particulares e institucionais.
Casas Vazias
Desde sempre me incomodou ver prédios vazios e abandonados, sobretudo no coração dos grandes centros urbanos. Um dia, enquanto percorria as ruas de Lisboa, fui levado pela curiosidade a entrar num destes prédios.
A porta, mal acorrentada chamou-me para dentro. Já nas escadas, percebi que havia uma casa que tinha a porta principal aberta. Entrei e dei por mim rodeado por uma série de objectos, todos nos seus lugares, como se a casa ainda estivesse habitada. Mas, ao mesmo tempo, o profundo silêncio e o ar pesado não escondiam o abandono de anos. Quem viveria naquela casa?... Há quanto tempo estaria ela assim?... Porque terá sido deixada assim?... Aquele ambiente enigmático despertou-me o interesse.
Saí e voltei noutro dia com a máquina fotográfica e com o propósito de registar em cada imagem, simultaneamente, o lado íntimo e o devassado (pelo abandono) daqueles objectos. Através da Fotografia, Casas Vazias pretende chamar atenção, independentemente das suas causas, para uma realidade que fere a vida das grandes cidades – O abandono das suas casas.
Gonçalo Fonseca (1974) vive nas Caldas da Rainha.
Cursou Fotografia no Atelier Arte e Expressão, nas Caldas da Rainha, 2001.
Cursou Estudos de Sociologia, 1993-1998.
Trabalha, desde 2000, em diversos projectos sociais e culturais em Portugal. Paralelamente, desenvolve projectos na área da fotografia, tendo os mesmo sido apresentados em Portugal e na Polónia. É também formador na área da fotografia.
A ESPERA
Esta série de fotografias pertence a um projecto pessoal sobre Portugal. Que pais é este? Sinto que Portugal é um país à espera da sua auto-realização. No início de um novo milénio, Portugal está imerso em pessimismo. Uma resignação silenciosa paira, impregnando todo o país. Como se nos afundássemos em silêncio, sem esbracejar. Como se achássemos que algo ou alguém nos pudesse vir resgatar, no último momento. Mas no meio disto, as nossas vidas quotidianas continuam, com os seus desejos, anseios e dissabores.
Acima de tudo, trata-se de uma tentativa de fixar um sentimento em relação a um local e a um tempo.
Joaquim Jesus (1980) nasceu em Paços de Brandão.
É mestre em Ensino das Artes Visuais; especializado em Conservação e Restauro de Pintura, na Camera di Commercio Italiana per il Portogallo e licenciado em Artes Plásticas-Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.
Foi bolseiro do programa Sócrates/Erasmus na Facultad de Bellas Artes de Bilbao Universidad del Pais Vasco, Espanha. Expõe regularmente desde 1997 e tem obras em colecções públicas e institucionais. Conta já com diversos prémios e menções honrosas na área da pintura.
O LÁPIS DA NATUREZA: Um outro olhar sobre os jardins de Santo Tirso
Porque é que a fotografia é a impressão da luz e não da sombra? Como é que a sua visão monocular pode assumir-se fiel à visão binocular humana? Porque é que a fotografia tem que ser o produto de uma máquina?
Será realizada uma série de registos fotográfico sem câmara (foto-grafias) sobre a flora de alguns jardins da cidade de Santo Tirso. O conjunto de imagens resultantes deverão permitir pela sua disposição uma interacção com o público, possibilitando ao observador questionar o lugar do olhar através da remoção dos alfinetes e consequente alteração da posição da(s) imagem(s).
“Se as imagens não lhe parecem na posição mais correcta, por favor, queira remover os alfinetes e alterar a sua posição”
Este projecto plástico, em torno do Lugar do Olhar, resultou de uma investigação de mestrado e será alvo, dentro de outros moldes, de uma exposição no Centro Português de Fotografia.
Jorge Pedra (1960) nasceu no Porto e vive na Maia.
É arquitecto, tem formação em Fotografia e Pintura e desde cedo mostrou interesse no cinema de animação e vídeo.
Participou em mais de 10 exposições colectivas e teve 5 exposições individuais na área da fotografia. Tem vindo a publicar artigos em revistas de fotografia, leccionou durante 2 anos a disciplina na Cooperativa “Árvore” e orientou workshops de iniciação à fotografia, na “Casa do Alto”, na Maia.
Expõe desde 1984. “Foram Objectos – Acrílico sobre Estearina e um pouco de Encáustica” foi a exposição individual mais recente, em Novembro de 2009, no Fórum da Maia.
Presença na Web:
http://olhares.aeiou.pt/JorgePedra
http://www.artistswanted.org/jorgepedra
SOBRE OS RESÍDUOS
A Arte utiliza a Fotografia, como acontece no projecto que apresento, desvalorizando-se o documento para obter um objecto que serve mais pela sua impressão plástica.
Estas imagens de “Sobre os Resíduos” estão obviamente a caminho da abstracção. Interessa-me o compromisso do que ainda é figurativo e do que já vale apenas pela textura, cor, pela forma irreconhecível.
A captação das imagens que deram origem às fotografias apresentadas aconteceu num “lugar provocador”: um parque de transformação de resíduos sólidos recicláveis. Uma amálgama de detritos, sobretudo metálicos, muitas vezes compactados “em fardo”; vestígios de alguns automóveis.
Tiago A. Costa (1986) é natural de Aveiro. Licenciado em Fotografia e Cultura Visual pelo Instituto de Artes Visuais, Design e Marketing (IADE) em 2009. Actualmente a frequentar o Mestrado ArteMultimédia na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.
INTERIORES
O projecto visa estabelecer a relação intrínseca que existe entre um espaço exterior, um lugar e a sua percepção. Esta percepção é mediada através da utilização de um NeuroScan, um equipamento que permite obter imagens dos fluxos cerebrais quando um indivíduo é sujeito a estímulos visuais. Desta forma, proponho-me dar a conhecer a relação íntima e individual que medeia entre a imagem percepcionada e a sua codificação cerebral que, neste caso concreto, se traduz na utilização de alguns pormenores do espaço da Casa da Galeria que foram fotografados com o intuito de serem utilizados como estímulo visual. Não tendo por base um exame neurofisiológico rigoroso, devido à sua complexidade, pretende-se apenas observar as diferenças entre várias imagens e as suas representações cerebrais, funcionando estas como equivalentes visuais de determinados lugares.
Tiago Casanova (1988) nasceu na ilha da Madeira e cedo se interessou pelas artes plásticas e visuais tendo ganho vários prémios simbólicos nas áreas de pintura, desenho, design, moda e fotografia. Com a entrada na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto – FAUP, em 2006, o interesse pela fotografia evidenciou-se, tendo organizado o 1º e o 2º Ciclo “A Fotografia na Arquitectura” em 2008 e 2009 e o Prémio FAUP de Fotografia de Arquitectura em 2009, com a realização paralela de conferências, debates, workshops, exposições e concursos. É actualmente investigador no Centro de Comunicação e Representação Espacial - CCRE, que visa explorar a prática da fotografia no âmbito da representação de cidade. Com o grupo do CCRE colaborou na organização do Seminário Internacional “Na Superfície”sobre Imagens de Arquitectura e na criação de uma nova revista sobre o mesmo tema de nome Scópio Magazine. É também director de fotografia da Revista Trama (PT) e fotógrafo colaborador da Revista BombArt (PT) e da Revista Rua (PT). Tiago Casanova tem actualmente 21 anos, frequenta o 4º ano em arquitectura e expõem regularmente os seus trabalhos de fotografia em exposições colectivas e individuais.
A IMAGÉTICA DE UM ESPAÇO SENTIMENTAL
Quando uma casa ou espaço nos pertence, ou está intimamente ligado a nós, por afinidade, os elementos que compõem essa arquitectura, a texturas, os padrões ou os objectos, têm geralmente uma componente ambígua para as pessoas: alguns desses elementos passam uma vida despercebidos e outros são eternamente importantes pelo valor emocional.
Projecto fotográfico que visa explorar a memória dos espaçosarquitectónicos intimamente ligados a mim na relação directa com os meus avós. Projecto constituído porduas séries fotográficas, uma referente à casa do meu avô materno e outra referente à oficina de restauro do meu avô paterno.
|