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Está Cientificamente provado através dos tempos que os “Amigos do alheio”, ficam mais activos quando a economia se debilita, do presente, como do passado existem relatos que povoam o imaginário popular.
Estas são as histórias que nos contavam os nossos avós, tal como lhe foram contadas, histórias antigas, para ouvir nas noites frias de Inverno, junto á lareira, antes de dormir e começar a sonhar.
Lourenço foi um afamado e mítico salteador, que roubava tudo e todos com extrema crueldade, tinha a sua área de influencia em quase toda a região de Vila Nova de Famalicão de onde era natural, fazendo por vezes incursões junto á Ponte da Lagoncinha e Argemil, conhecendo-se mesmo uma tentativa de assalto sem êxito ao Mosteiro Beneditino de Santo Tirso, conforme nos é narrado por Alberto Pimentel na edição de 1902 de Santo de Riba D’ Ave, pag. 54.
Deste salteador do século XIX, são conhecidos segundo a tradição oral relatos de assaltos acompanhados de extrema violência em nada semelhantes ao seu contemporâneo Zé do Telhado, que era chefe da quadrilha mais famosa do Marão, conhecido por "roubar aos ricos para dar aos pobres" e por isso muitos consideram-no como o Robin dos Bosques português, acabou por ser preso e na Cadeia da Relação conhece Camilo Castelo Branco em Março de 1859. Contrariamente ao que muita gente pensa o Zé do Telhado nunca efectuou qualquer assalto na nossa região e não existe nenhum registo da época que relate tal facto.
José Teixeira da Silva, o Zé do Telhado, segundo o registo baptismal, terá nascido em 22 de Junho de 1818 e a primeira biografia do romântico bandoleiro saiu da pena do maior romântico da nossa literatura, Camilo Castelo Branco, que conheceu-o na prisão da Relação do Porto, onde ambos comungavam as instalações por diferentes razões.
O escritor ouviu-lhe as confissões e integrou-o nas suas “ Memórias de Cárcere “, publicadas em 1861.
A verdade e a lenda confrontam-se, no entanto á factos históricos inegáveis que José Teixeira da Silva, nasceu no 1818 no lugar do Telhado, freguesia de Castelões de Recezinhos, concelho de Penafiel. Com a idade de14 anos, vai residir para casa do tio João Diogo, castrador e tratador de animais, residente no lugar de Sobreira, freguesia de Caíde de Rei, concelho de Lousada, e por lá permaneceu durante 5 anos, até que se apaixona pela sua prima Ana Laurentina, tinha então dezanove anos.
Assentou praça no quartel de Cavalaria 2, os “Lanceiros da Rainha” e em de Julho de 1837., quando rebenta a “Revolta dos Marechais”, contra o partido dos setembristas e pela restauração da “Carta Constitucional”. Os lanceiros alinham com os revoltosos e são desbaratados em 18 de Setembro. Foge para Espanha com o líder da insurreição o general Schwalback.
No exílio recebe a notícia de que o tio, finalmente, abençoara o seu casamento com Ana e regressa a Portugal com o perdão oficial e casa com a prima a 3 de Fevereiro de 1845.
Em 23 de Março estala a “Revolução da Maria da Fonte”, liderada por mulheres. Há soldados que desertam para o lado dos revoltosos.
José Teixeira foi o líder militar da insurreição, à qual aderiram pés descalços e o General-Visconde de Sá da Bandeira, os actos de bravura, despojamento, apurado instinto militar, num combate que perdeu, valeram-lhe a mais alta condecoração que ainda hoje vigora em Portugal: a ” Ordem da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito”.
Derrotada a Patuleia, Zé do Telhado conta que arrancou as divisas e regressou a casa, findando aqui a sua experiência militar, mas é perseguido e está atolado em dívidas não consegue pagar, não há quem lhe dê trabalho.
Nesse tempo, Custódio, o “Boca Negra”, capitaneava a maior quadrilha de bandoleiros que aterrorizou as duas beiras em 1842, ferido num dos assaltos, “Boca Negra” leva Teixeira a um casario meio abandonado e apresenta-o como o novo líder.
Na noite de 16 para 17 de Março de 1857, Zé do Telhado é já alvo de uma caça ao homem sem precedentes, é preso no esconderijo, a 5 de Abril de 1861 e na manhã dia 25 de Abril, começa no tribunal de Marco de Canaveses o julgamento de José Teixeira da Silva, sendo condenado na pena de trabalhos públicos por toda a vida na Costa Ocidental de África e no pagamento de custas”, num julgamento de durou apenas dois dias. Condenado ao degredo, José Teixeira da Silva desembarcou em Luanda, seguindo para Malange, onde viveu cerca de um ano, por lá fez-se negociante de borracha, cera e marfim, casou-se com uma angolana, Conceição, de quem teve três filhos e deixou crescer as até ao umbigo, sendo por isso conhecido pelos nativos como o “quimuêzo” – homem de barbas grandes, viveu sem problemas financeiros, mas a saudade da mulher e dos cinco filhos levaram-no a morte mais cedo, contava com 57 anos de idade. Foi sepultado na aldeia de Xissa, a cerca de 50 km de Malange, onde os negros lhe fizeram um mausoléu.


Hilário Sineiro Machado
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