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Na Geometria do Tempo: "A Lenda da Maria da Fonte"

Uma das lendas mais conhecidas em Santo Tirso está ligada a uma fonte, cuja a água e segundo a tradição oral, prende para sempre a Santo Tirso quem a beber de joelhos, situada ao fundo da Rua do Tapado, local que a data era muito importante, pois passava a estrada do Porto para Guimarães por Santo Tirso.

Bartolo, filho de um abastado morgado dos lados de Burgães, morre de amores por Maria, lavadeira, mas sincera no seu amor.

Para colocar um ponto final na vida mundana e boémia, o morgado, impõe ao filho a regra e obriga-o a entrar para o mosteiro Beneditino de Santo Tirso.

Em terras do Mosteiro, junto ao Portão do arco de entre muros, por onde os monges saíam para o couto, quem andava de amores não dormia.

Era na calada da noite de Bartolo jurava o seu amor a Maria, reinava naquele tempo el-rei D. Pedro II.

Em cada encontro o amor engrandecia as suas almas numa paixão quase doentia, o que originou medidas drásticas de clausura do Dom Abade do Convento sob pressão do morgado, o jovem frade entra em agonia e pressente a proximidade do fim, a depressão e a melancolia consume-lhe o corpo e a alma e pouco depois morre.

Sem notícias, Maria, á hora certa, espera, dia após dia, ano após ano, a juventude passa e a velhice chega sem avisar.
Enquanto espera, chora lágrimas que fazem brotar uma fonte, água que Maria bebeu e ali mesmo morreu.

O tempo passou e a bica não secou, diz o povo que nesta água de amor e feitiço, quem a beber, não mais abandona Santo Tirso.
A Fonte da Maria Velha, num passado ainda não muito longínquo, era local de paragem obrigatório para descansar os pés e afugentar a sede aos romeiros que, no dia 15 de Agosto, iam pagar as suas promessas ao Monte de Nossa Senhora da Assunção.

Em 16 de Março de 1835 foi deliberado pela Câmara Municipal a alteração do espaço e rebaixado o rego que ganha a bica da fonte com a configuração de detém actualmente.

Nesta lenda, como em qualquer outra narrativa de gestação colectiva e transmissão oral, junta-se sempre o fantástico e o irreal a caminharem de nãos dadas com a imaginação.

Hilário Sineiro Machado
hsineiro@iol.pt


voltar ] 12 de Outubro de 2008

Maria da Fonte




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