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Na Geometria do Tempo – Invasões Francesas no nosso concelho

Aquando da 2ª invasão francesa o concelho de Santo Tirso sofreu duras privações impostas pelas circunstancias, facto que sempre tornou bravos os portugueses perante o invasor estrangeiro.
Logo que chegou a noticia que o General Soult havia penetrado pelo Minho, a desorientação foi total, o que originou a chacina de dois oficiais portugueses, junto à Fonte da Maria Velha.
Nesta rubrica de “Na Geometria do Tempo”, pretende-se de uma forma simples e sucinta abordar alguns aspectos históricos e tradicionais de forma a alertar, preservar e divulgar o que de mais rico temos no nosso terra. Nas grandes convulsões sociais não é fácil conter os ânimos mais exaltados e em cada canto se julga ver um inimigo.
Foi neste enquadramento de agitação que no dia 18 de Março de 1809, foram mortos pelo povoa, a titulo de Jacobinos os oficiais do estado Maior, D. João Correia de Sá e o seu camarada Manuel da Costa Seneira, quando efectuavam um levantamento das forças que poderiam contar para combater os invasores.
Os autores deste crime, oriundos de S. Tiago da Carreira, foram presos e condenados à morte e executados na cidade do Porto, segundo o que se apurou após a execução da sentença, os condenados poderiam não ser os culpados de tal atrocidade, uma vez processo correu o mais sumariamente possível e a execução da sentença foi de imediato, sem direito a recurso, chegando a ordenança a referir na certidão emitida “… que os seus foram executados, sem sacramentos, pois não havia tempo para lhes serem ministrados.
As tropas francesas encontraram neste concelho fortes barreiras, constituídas, na sua maior parte por populares que heroicamente desafiaram a morte em defesa de um palmo de terra.
No dia 25 de Março de 1809, no Lugar da Ponte de Negrelos, s. Martinho de Campo, na margem esquerda do rio Vizela, estava um grupo de moradores da região, munidos de uma velha peça de artilharia e armados de chuços e outras armas rudimentares. Neste confronto caíram gloriosamente 70 bravos e mais tarde no limite daquela freguesia apareceram mais 15 cadáveres que nunca chegaram a ser identificados. Foram sepultados no cemitério Paroquial, e relativamente a este facto, existe uma lenda que diz que ainda hoje se descobre o local onde foram sepultados, por se conservar a relva tão viçosa mesmo no pino de verão e sem ser regada.

A propósito desta narrativa o D. Abade João Pinto dos Reis, no Jornal de santo Thyrso de 28 de Agosto de 1891, diz: “… parece um protesto mudo da natureza contra a ingratidão dos homens, que deixaram ao esquecimento esses mártires, sem ao menos lhe erguerem um modesto mausoléu, ou uma simples cruz…”.

Hilário Sineiro Machado
hsineiro@iol.pt


voltar ] 13 de Novembro de 2008

Invasões Francesas




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