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A pobreza em Portugal

Portugal, tal como a generalidade dos países que estão a ser fustigados pela crise, está a entrar na última fase do ciclo recessivo, mas que sem dúvida é a mais longa e a mais dolorosa: estamos a falar de desemprego, de pobreza e de exclusão social.

As empresas estão nesta altura a fechar as contas de 2008 e o balanço entre o deve e o haver resulta quase invariavelmente num único ‘bottom line': quebra acentuada de lucros ou mesmo prejuízos. Aumentar proveitos, com o consumo em retracção, é tarefa difícil. O mais óbvio é cortar pelo lado dos custos, solução que na última semana levou 18 multinacionais a mandarem para casa 180 mil trabalhadores.

Obviamente que, em alturas de crise, todos querem ser acudidos pelo Estado: a banca que precisa de dinheiro para repor os capitais; proprietários que querem pagar menos pelas prestações da casa; contribuintes que querem benesses fiscais; fornecedores que querem que o Estado e as Câmaras lhes paguem as dívidas; sectores que querem pacotes de ajuda como o que foi desenhado para os automóveis; empresas que querem linhas de crédito mais baratas, etc. Enfim, toda uma sociedade de mãos estendidas à espera que o Estado a ajude atravessar à crise.

Se é verdade que o Estado tem um papel fundamental na dinamização da economia e protecção do tecido empresarial, não é menos verdade que o dinheiro é escasso e como tal é imprescindível que se definam as prioridades.

E a prioridade neste momento de agudizar da crise devem ser as pessoas. As pessoas que estão sem emprego. Nesta altura, mais do que nunca, é imperativo acudir a essas situações de emergência social que em alguns países estão a descambar para fenómenos de xenofobia. Veja-se o caso da refinaria de Lindsey da Total, em que 30 portugueses foram confrontados com protestos xenófobos dos trabalhadores no Nordeste de Inglaterra, que entraram em greve contra a contratação de mão-de-obra estrangeira.

O alerta foi deixado este fim-de-semana por Cavaco Silva, que afirmou que os recursos do Estado, que for possível disponibilizar, devem ser colocados para apoiar pessoas que podem vir a perder o emprego, que podem cair em situação de pobreza. Mas esta não deve ser uma causa só do Estado. Às empresas não devem ser exigidas obras de beneficência e assistência social, mas sim novos investimentos como forma de criar riqueza e de garantir postos de trabalho. Sobretudo aquelas que estão beneficiar das ajudas do Estado.
 
Pedro Carvalho


voltar ] 2 de Fevereiro de 2009

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