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Na Geometria do Tempo - Usos e Tradições

A Água de Rega

A água é o sangue da terra no trabalho rural quase sempre executado de pés descalços pelas horas repousantes das Trindades ou ao romper do dia. A brasa da terra tem se ser acalmada pelo líquido revigorante saído da obscuridade misteriosa das minas em brancura murmurante e prateada que aviva o verdejante por onde se estende. Mas como relatam os lavradores é preciso estar atento desde a alva até ao pôr-do-sol “por mor de não haver abusos”, que quando aconteciam eram resolvidos a sacholada.

Usos e Costumes

 

Características das Casa Rurais

As Cortes

As cortes do gado ficam sempre por debaixo do sobrado, o lavrador é cioso e temente pelo seu gado, gosta de o ver de dia e de o ouvir á noite.
O medo do roubo, principalmente quando as vacas andam em fim de tempo, originam um cuidado redobrado por isso em regra o lavrador pouco dorme ao contrário dos criados que são tidos como grandes dorminhocos.

 

Os Jugos

Para os nossos leitores mais novas o termo – Jugo, pouco ou mesmo nada lhes dirá, no entanto, no passado foi um sinal de ostentação dos lavradores mais abastados, é um objecto que tem a função de juntar dois animais (bois) para que a força de puxar seja feita em simultâneo. Existem dois sistemas, que são os mais usados, de atrelagem dos bois: um em que o animal puxa pela cabeça e outro em que puxa pelo pescoço.
Nesta região os bois tinham uma grande importância, por isso os seus proprietários exibiam o seu poder enriquecendo o jugo de forma exuberante. A peça é feita em madeira e pintada com tons de amarelo, vermelho, azul e branco. Tem forma de trapézio e recortes nos topos. As faces têm desenhos de flores e ramagens esculpidos, a sua origem tem como base as replicas dos portais românicos.

 

Medicina Caseira

Com o tempo se mantêm instável e as diferenças de temperatura quase sempre originam gripes e constipações acompanhadas de tosse, aqui deixo o registo de uma receita de dois xaropes caseiros muito usados no passado.

 

Xarope de Cenoura

Ingredientes: 3 Cenouras e açúcar escuro.
Preparação: lavam-se e raspam-se as cenouras e cortam-se ás rodelas par dentro de uma tigela, onde se dispõem camadas alternadas, uma de cenoura, outra de açúcar.
Deixa-se ao relento em infusão e no dia seguinte, já pode tomar moderadamente de 2 a três colheres por dia.

 

Xarope de Limão

Ingredientes: 3 limões inteiros, meio quilo de açúcar mascado ou amarelo e meio litro de agua.
Preparação: lavam-se muito bem os limões, para lhe tirar qualquer sujidade, cortam-se aos quartos, juntar-se-lhes açúcar e agua num recipiente de ir ao lume, e deixa-se ferver até fazer ponto, e depois de frio, toma-se as colheres diversas vezes ao dia.

 

Expressões populares
 
Ir abaixo de Braga é uma expressão ainda hoje muito usada no território da paroquia e deriva da forma orográfica, bastante irregular de região de Braga o que originava que as aguas dos esgotos citadinos fossem encaminhadas para terrenos situados inferiormente, ainda actualmente designados por Campo das Hortas, que no passado se situava fora dos limites da cidade, a partir daí e sempre que havia intenção de ofender alguém, mandava-se essa pessoa “abaixo de Braga”.

 

Superstições
Correr o Fado

Antigamente os pais que tivessem sete rapazes ou sete raparigas todos seguidos, o mais velho tinha de ser padrinho do mais novo, se não o fosse o mais novo ia "correr o fado", que consistia que ao dar meia-noite ele ou ela transformava-se num animal, que galgava montes e vales até romper os primeiros raios de luz de um novo dia, esta situação só era revertida definitivamente, quando este animal era ferido e algum sangue corresse, transformava-se de imediato na pessoa que era totalmente nu e estava então quebrado o fado.

 

As Maias

O ritual pagão que anuncia um novo ciclo, no passado foi incutido um sentido religioso, ao relatar uma história da Sagrada Família, na sua fuga para o Egipto, quando pernoitavam numa certa aldeia, Herodes para garantir que eliminava o Menino Jesus, dispunha-se a matar todas as crianças.
Perante esta possibilidade, foi informado por um aldeão, que poderia evitar esta mortandade, bastando para isso o referido homem colocasse um ramo de giesta florida na casa onde se encontrava o menino Jesus, assinalando a casa para os soldados executores da ordem de Herodes.
Qual foi o espanto dos soldados, na manha seguinte, quando encontraram todas as casas da aldeia com ramos de giestas floridas à porta, evitando assim a morte do Menino Jesus.
Assim esta tradição manteve-se até aos dias de hoje, na noite de 30 de Abril para 1 de Maio, como forma de lembrar esta passagem.
Existe ainda uma história que não possuir um ramo de giesta na porta de entrada nesta mesma data é atacado pelo Burro Maio, animal de palha de centeio que amedrontava sobretudo as crianças.

 

Hilário Sineiro Machado
hsineiro@iol.pt


voltar ] 11 de Abril de 2009


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