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Secção Fala Quem Sabe




 

A mão que encobre a face

Há mãos cujos dedos se posicionam em encruzilhadas tais que vão elaborando teias, de tal forma bem tecidas, que conseguem ocultar faces e mais faces onde nem sequer se vislumbram os artifícios sensíveis dos rostos, aqueles pormenores que nos levam às conclusões das evidências e às características que elucidam com exactidão o que está por detrás. Por detrás, estão ocultas as faces  de quem se fala e ninguém conhece! Por detrás, aparecem e reaparecem os corpos e anti-corpos daqueles que vão construindo mundos paralelos, vão tirando aqui e acolá, vão acumulando riqueza suspeita e vão defraudando um país já de si muito debilitado em termos de credibilidade e de honorabilidade.

Justiça

Essas mãos, esses dedos tentaculares, esses artificies de artes circenses sem alvará propagam-se em catadupa e emanam de vivências que assentam no puro exercício de uma cidadania reprovável, pois não é cidadania... emanam de processos gigantescos, autênticos polvos capazes de consubstanciar na sua génese um arrepiante bem-estar, justificável, afeito às presunções da lei e emoldurados em claustros inatingíveis. As faces e as respectivas mãos (rostos projectados entre si dão vultos ambíguos) dos que violam segredos de justiça, dos que se escutam em qualquer esquina, dos que se prolongam para além do seu ser e da sua realidade objectiva, dos que analisam, investigam, fazem jurisprudência e concluem sem conclusão, tornam este pequeno rectângulo num habitáculo criticado e criticável, num espaço dominado por gente de poder com rosto em detrimento de gente sem poder com rosto desfalecido. Casa Pia e as crianças “mentirosas”, Face Oculta e os “arautos duma realidade pungente”, Violência Doméstica e os “detentores de cargos inconsequentes”, Freeport e “autos que se abrem e se fecham sem conclusões precisas”, denúncias e anti-denúncias, tentativas de “assassinatos de carácter” e outras envolventes que seria fastidioso enumerar, vão colorindo de cinzento um país que necessita urgentemente de clarificação. Justiça será sempre justiça, e funcionará sempre, se os poderes não colidirem propositada e promiscuamente. Quando assim acontecer, o país avançara... e há casos em que avança com total transparência e rigor. Basta seguir exemplos vários, procurá-los e, acima de tudo, exigir à comunicação social peças noticiosas de coisas muito válidas que acontecem por esse território fora... coisas com rosto visível, coisas de incontestável valor humano, autárquico, solidário e de cidadania. Uma espécie de “Nós por Cá” filtrado pela lupa da elevação. Que estímulo seria para todos nós. Deixaríamos, assim, de ser um ardil de gente mal-intencionada.

Cidálio Castro

cidaliocastro@iol.pt

voltar ] 26 de Novembro de 2009

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