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Secção Fala Quem Sabe


 

Na Geometria do Tempo

Lendas do Passado

Vila do Conde e o Rio Ave

Há muitos atrás havia um Conde que vivia numa terra situada à beira - mar, um dia pela manhã bem cedo saiu para caçar e acabou por fixar o seu acampamento numa serra cuja paisagem o fascinou.
Era uma serra calma, com árvores esplendorosas, um local acolhedor e calmo, onde o silêncio era apenas quebrado pelo melodioso chilrear dos pássaros.
Andava o Conde a caçar quando foi surpreendido por uma imagem deslumbrante, uma bela e angélica pastora que guardava um rebanho de cabras. O Conde depressa se enamorou pela formosura da pastora e ela correspondia inteiramente ao amor do Conde.
Mas o Conde tinha que regressar à sua terra e a pastora ficou tão triste, tão triste por encontrar a sua alma gémea e nesse mesmo instante a perder, que disse ao seu amado Conde, que adoraria ser ave para poder voar, para ir visitá-lo sempre que a saudade apertar.
A despedida foi dolorosa e desde essa altura a bela pastora chorou tanto, tanto que as suas lágrimas formaram uma nascente, que correu até à terra situada à beira-mar onde vivia o seu Conde.
É esta lenda do Rio Ave que nasce na Serra da Cabreira e desagua em Vila do Conde.

Adágios Populares sobre o casamento

Quem acerta no casar, nada lhe falta acertar.
Quem casa a correr, toda a vida tem para se arrepender.
Quem casa com sapateiro, lambe cola o ano inteiro.
Quem casa não pensa, quem pensa não casa.
Quem casa por amores, vive sempre com dores.
Quem casa, quer casa.
Quem longe vai à boda, no caminho a larga toda.
Quem longe vai casar, ou se engana ou vai enganar.
Quem vai à boda, leva que coma.
Se queres bem casar, teu igual vai procurar.
Vinha e menina para casar, muito custam a guardar.

Camilo e Bernardino Machado

Durante este ano de 2010, comemora-se os 100 anos sobre a implantação da Republica e um dos obreiros deste regime politico foi sem duvida Bernardino Machado, existem inúmeras registo nos semanários tirsenses sobre as suas deslocações a então vila de Santo Tirso, para compartilhar ideais republicanos com as nossas gentes, no entanto importa, enaltecer e a propósito da sua formação enquanto pessoa e democrata que muito se deveu à sua ligação a Camilo Castelo Branco.
Camilo foi um dos seus mestres, tal como Bernardino Machado, publicava no Século, nº 15474 de 16 de Março de 1925. pagina 2 sob o titulo de: “Camilo Castelo Branco, recordações”.

…”Eu tinha sobre os meus companheiros da Universidade a boa fortuna de passar ferias em Famalicão, na vizinhança de Camilo.
…”É com terna saudade que recordo as horas deliciosas em que tive a honra de tratar de perto com ele, nada escapava à sua privilegiada memória”…

Camilo C Branco

Registo de Memória

No inicio do século passado a Associação dos Bombeiros Voluntários de Santo Tirso, possuía uma classe de ginástica criada e ministrada pelo Comandante Francisco Festa da qual aqui deixo pçasmado o seu registo fotográfico.

Classe de Ginástica BVST

 

Nichos e Capelas

Capela dos Carvalhais fica situada na rua do mesmo nome no centro de Santo Tirso, agregada a uma casa particular, edificada em pedra rebocada a argamassa, organizada segundo uma planta rectangular coberta por um telhado tradicional a duas águas, na fachada principal apresenta uma porta emoldurada a pedra granítica, bem como o rodapé e as arestas laterais, encimada por uma cruz ladeada por dois pináculos.

Interiormente apresenta-nos uma magnífica imagem de Cristo, sob a forma da conhecida representação iconográfica de “Ecce Homo”, expressão que deriva das palavras que Poncio Pilatos teria dito ao apresentar Jesus Cristo aos judeus de acordo com o Evangelho, em latim a frase significa “ eis o homem”.

Esta capela ao que pude apurar fazia parte de uma via-sacra que teria início numa outra capela que existiu na Praça general Humberto Delgado, mais precisamente no edifício do extinto restaurante “Caninha verde”, designação esta muito possivelmente por essa capela estar consagrada ao Senhor da Cana Verde.

Há muitos anos atrás, e com principal incidência na região de entre Douro e Minho, na Quinta-Feira Santa, depois do Ofício das Trevas saía a procissão do Senhor da Cana Verde. O Senhor apresentava-se vestido com Alva branca, capa encarnada, coroado de espinhos e como ceptro tinha uma cana verde. Como no Tortosendo havia Capelas várias e dispersas, o Senhor entrava em cada uma delas em exposição. Pelo caminho todo o povo fiel cantava "Senhor Deus, misericórdia".

Após o religioso havia o costume de "correr as palancas": homens fortes da Freguesia, trajados de branco, com a cabeça coberta e com grandes pedaços de ferro presos aos pés por correias (as palancas) percorriam em silêncio o caminho por onde tinha passado o Senhor. A cena em si causava tremor a quem os via e ouvia pela calada da noite.
De referir por ultimo que esta capela dos Carvalhais foi custeada pelo Visconde de Cantim, Manuel Francisco Penetra e esta datada de 3 de Julho de 1901, conforme nos indica uma placa no seu interior.

Capelinha de S. Romão, Vila das Aves, è um pequeno templo com as dimensões de 2,50m por 1,80 metros e foi mandado erigir pela D. Ana Emília Marques motivada pela nostalgia da demolição da antiga igreja paroquial de Romão.

Capelinha S. Romão

A nova Capelinha foi benzido pelo bispo resignatário de Portalegre e Castelo Branco, D. Agostinho Lopes de Moura, á data residente no Mosteiro da Visitação e a antiga imagem do padroeiro regressou ao seu devido lugar em procissão da Igreja matriz no dia 6 de Janeiro de 1985.

Hilário Sineiro Machado
hsineiro@iol.pt


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